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segunda-feira, 28 de março de 2011

Siri

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Como ler uma caixa taxonómicaSiri
Callinectes sapidus
Classificação científica
Reino: Animalia
Subordem: Pleocyemata
Infraordem: Brachyura
Superfamília: Portunoidea
Família: Portunidae
Géneros e espécies
Callinectes
Callinectes arcuatus
Callinectes bellicosus
Callinectes bocourti
Callinectes danae
Callinectes exasperatus
Callinectes larvatus
Callinectes marginatus
Callinectes ornatus
Callinectes rathbunae
Callinectes sapidus
Cronius
Cronius ruber
Cronius tumidulos
Portunus
Portunus anceps
Portunus ordway
Portunus spinicarpus
Portunus spinimanus
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Os siris classificam-se cientificamente como Crustacea (carapaça dura) Decapoda (dez patas) Brachyura (cauda reduzida) da família dos portunídeos.
A principal característica externa na qual o diferencia dos demais decapodas, que reúnem os siris e caranguejos é a modificação de seu último par de apêndices locomotores (patas), que assumem a forma de nadadeiras sendo assim, os siris possuem uma capacidade de maior locomoção de que seus "primos" caranguejos, que se limitam a vida em substratos como areia, rochas dentre outros. Por esse motivo, em alguns países como nos Estados Unidos, os siris são chamados de "swimming crab" (caranguejo nadador). Outras características externas que os diferenciam das demais espécies é o prolongamento longitudinal de sua carapaça, possuindo a forma de espinhos laterais bem pronunciados em algumas espécies e também a carapaça achatada, possibilitando uma melhor hidrodinâmica e exporação de tocas e afins.

 Distribuição

As espécies dessa família ocorrem em todo o mundo em ambientes marinhos e em estuários (zona de transição entre o mar e rios). A salinidade é um fator importante na distribuição desses organismos no ambiente.

Reprodução

A massa de ovos contém aproximadamente 0,8 a 1,5 milhões de ovos.
Incubação
Os ovos se aderem externamente ao corpo abaixo do abdome. A fêmea pode carregar aproximadamente 2.000.000 de ovos. O período de incubação pode ser de 16 a 17 dias ou de 10 a 15 dias a 25 - 28 °C.

Larvas

Após um mínimo de 18 dias, o siri muda do final de estágio de zoea para megalopa. Em 7 a 8 dias, este chega ao primeiro estágio de siri em água de salinidade de 21 a 27 ‰. A duração do período larval é de 20 a 24 dias.

Alimentação

Os siris são crustáceos considerados generalistas ou mesmo oportunistas, o que quer dizer que não possuem uma preferência por alimentos. Geralmente, inclui-se em sua dieta, crustáceos de menor tamanho, moluscos e uma infinidade de outras espécies, geralmente mortas ou em estágio de decomposição.

Raposa-vermelha

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Como ler uma caixa taxonómicaRaposa-vermelha
Vulpes vulpes
Vulpes vulpes
Estado de conservação
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Canidae
Género: Vulpes
Espécie: V. vulpes
Nome binomial
Vulpes vulpes
(Linnaeus, 1758)
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica
A raposa-vermelha (Vulpes vulpes) é um mamífero, carnívoro, de médio porte, com os pelos geralmente castanho-avermelhados, (nos filhotes essa pelagem é castanho-escura, e só depois dos primeiros 6 meses de vida sua coloraçao se torna igual a dos adultos). É também um dos carnívoros com mais distribuição pelo mundo. Tem hábitos noturnos e crepusculares (exceto em lugares de pouca movimentação podendo ser vista durante o dia), come em média 500g de comida todos os dias, caça geralmante animais pequenos como coelhos e lebres, mas seu cardápio pode se estender à roedores, aves, insetos, peixes, ovos, e frutos, tem cerca de 20 esconderijos para comida podendo se lembrar de todos eles, em caso de necessidade esse animal pode se alimentar de restos de comida humana e animais mortos, tudo isso devido à sua grande capacidade de adaptação. Nos EUA é conhecida por ser "ladra de galinheiros".

Reprodução

As raposas-vermelhas acasalam entre dezembro e fevereiro, sua gestação dura pouco menos de dois meses (52 à 53 dias), a fêmea tem entre 4 e 5 crias uma vez por ano, ambos (pai e mãe) cuidam de seus filhotes, e mesmo depois do desmame eles só se tornam independentes no outono após seu nascimento. As raposas-vermelhas vivem em média 9 anos.
Vulpes vulpes- crânio

Características

A raposa-vermelha vive em grupos formados em sua maioria por um macho adulto e várias fêmeas, vivem em tocas protegidas pela vegetação, sendo estas construidas por elas mesmas ou aproveitadas de antigas tocas de coelhos e texugos. Essas raposas tem um tamanho variado de 90 cm a 1,38 m de comprimento, os machos têm entre 6 e 10 kg e as fêmeas de 4 a 8 kg, tem orelhas pontudas e pretas atrás, focinho fino, cauda espessa, olhos triangulares e pequenos, e patas ovais com garras não retrácteis.

Ameaças

A raposa vermelha, assim como as outras, está pouco ameaçada sendo listada como "pouco preocupante" (LC) e por isso é caçada em muitos lugares dos EUA e da Europa, por «desporto», durante os meses de Outubro a Fevereiro. Na Inglaterra foi proibída em 2005 a caça deste animal, que já era considerada uma tradição secular.
A caça excessiva pode, no entanto, por este animal em perigo, assim como a perda do seu habitat natural.

Habitat

Habita a América do Norte, a Eurásia e em esparsas populações o norte da África. Também há esparsas populações na Austrália, onde foram introduzidas para dar um fim em um outro animal que também foi introduzido, o coelho. Não são territorialistas, vivem em lugares de comida em abundância. Essas raposas se encontram em partes de clima temperado, não habitando assim zonas de climas equatoriais, tropicais, e polares.

Subespécies

  • Vulpes vulpes vulpes
  • Vulpes vulpes crucigera
  • Vulpes vulpes japonica
  • Vulpes vulpes peculiosa kishida
  • Vulpes vulpes fulfa
  • Vulpes vulpes rubricosa
  • Vulpes vulpes regalis
  • Vulpes vulpes macroura
  • Vulpes vulpes necator
  • Vulpes vulpes alascensis
  • Vulpes vulpes harrimani
  • Vulpes vulpes kenaiensis
  • Vulpes vulpes kurdistanica
  • Vulpes vulpes abietorum
  • Vulpes vulpes cascadensis
  • Vulpes vulpes arabica
  • Vulpes vulpes karagan
  • Vulpes vulpes silacea

Quati

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Como ler uma caixa taxonómicaQuati
Quati-de-nariz-branco
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Procyonidae
Género: Nasua
Espécies
Ver texto
O quati, também grafado coati (do tupi "nariz pontudo"), é um mamífero da ordem Carnivora, família Procyonidae e gênero Nasua. O grupo está distribuído desde o Arizona ao norte da Argentina.

Características físicas

Mamífero aparentado do guaxinim, possuindo entretanto um nariz mais comprido, e um corpo mais alongado. Com patas que lembram remotamente as dos ursos, muito úteis para escaladas em árvores. A coloração, em geral, é cinzento-amarelada, porém muito variável, havendo indivíduos quase pretos e outros bastante avermelhados, focinho e pés pretos, cauda com 55 cm, com sete a oito anéis pretos. Mede de corpo 70 cm. Vive em bandos de oito a dez, é praticamente onívoro e se adapta bem ao cativeiro. São animais diurnos.
Há quatro espécies semelhantes desse pequeno animal, encontrado desde o Panamá (América Central) até a Argentina. Quatis vermelhos vivem em grandes bandos formados de fêmeas e machos jovens. Com mais de dois anos, os machos já vivem sozinhos, juntando-se ao bando somente na época do acasalamento, que acontece no fim da primavera. Dez ou onze semanas após, a fêmea produz de dois a seis filhotes. Por mais de um mês, estes permanecem em seu ninho no oco de uma árvore. O quati alimenta-se de minhocas, insetos e frutas. Aprecia também ovos, legumes e especialmente lagartos. Não gosta de água mas pode nadar bem. Dorme no alto das árvores enrolado como uma bola e não desce antes do amanhecer.

Espécies

Pinguim

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Como ler uma caixa taxonómicaPinguim
Pinguim-rei
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Sphenisciformes
Família: Spheniscidae
Géneros
Aptenodytes
Eudyptes
Eudyptula
Megadyptes
Pygoscelis
Spheniscus
Um pinguim (FO 1943: pingüim) é uma ave da família Spheniscidae, não voadora, característica do Hemisfério Sul, em especial na Antárctida e ilhas dos mares austrais, chegado à Terra do Fogo, Ilhas Malvinas e África do Sul, entre outros. Apesar da maior diversidade de pinguins se encontrar na Antártida e regiões polares, há também espécies que vivem nos trópicos como por exemplo nas Ilhas Galápagos. A morfologia dos pinguins reflete várias adaptações à vida no meio aquático: o corpo é fusiforme; as asas atrofiadas desempenham a função de barbatanas e as penas são impermeabilizadas através da secreção de óleos. Os pinguins alimentam-se de pequenos peixes, krill e outras formas de vida marinha, sendo por sua vez vítimas da predação de orcas e focas-leopardo.
Os primeiros pinguins apareceram no registo geológico do Eocénico.
O pinguim é uma ave marinha e excelente nadadora. Chega a nadar com uma velocidade de até 45 km/h e passa a maior parte do tempo na água.
Os pinguins constituem a família Spheniscidae e a ordem Sphenisciformes (de acordo com a taxonomia de Sibley-Ahlquist, fariam parte da ordem Ciconiformes).

 Aspectos biológicos

Anatomia

Pinguim no Museu Oceanográfico de Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.
Pinguins são muito adaptados à vida marinha. As asas vestigiais são inúteis para vôo no ar, na água são muito ágeis. Na terra, os pinguins usam a cauda e asas para manter o equilíbrio na postura erecta.
Todos os pinguins possuem uma coloração por contraste para camuflagem (vistos ventralmente a cor branca confunde-se com a superfície refletiva da água, visto dorsalmente a plumagem preta os torna menos visíveis na água).
Possuem uma camada isolante que ajudam a conservar o calor corporal na água gelada antártica. O Pinguim-imperador possui a maior massa corporal de todos os pinguins, o que reduz ainda mais a área relativa e a perda de calor. Eles também são capazes de controlar o fluxo de sangue para as extremidades, reduzindo a quantidade de sangue que esfria mas evitando as extremidades de congelar. Eles frequentemente agrupam-se para conservar o calor e fazem rotação de posições para que cada pinguim disponha de um tempo no centro do bolsão de calor.
Eles podem ingerir água salgada porque as glândulas supraorbitais filtram o excesso de sal da corrente sanguínea.[1][2] O sal é excretado em um fluido concentrado pelas passagens nasais.

Alimentação

Pinguins nadando.
A dieta dos pinguins dos gêneros Aptenodytes, Megadyptes, Eudyptula e Spheniscus consiste principalmente em peixes . O gênero Pygoscelis fundamentalmente de plâncton. A dieta do género Eudyptes é pouco conhecida, mas acredita-se que muitas espécies alimentam-se de plâncton. Em todos os casos a dieta é complementada com cefalópodes e plâncton.

Reprodução

Há espécies de pinguins cujos pares reprodutores acasalam para toda a vida enquanto que outros fazem-no apenas durante uma época de reprodução. Normalmente, os progenitores cooperam nos cuidados com os ovos e com os juvenis. A forma do ninho varia, segundo a espécie de pinguim: alguns cavam uma pequena fossa, outros constroem o ninho com pedras e outros utilizam uma dobra de pele que possuem ventralmente para cobrir o ovo. Normalmente, o macho fica com o ovo e mantém-no quente, e a fêmea dirige-se para o mar com vista a encontrar alimento. Quando no seu regresso, o filhote terá alimento e então os papéis invertem-se: a fêmea fica em terra e o macho vai à procura de alimentos.

Espécies

Gêneros extintos

Ornitorrinco

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Como ler uma caixa taxonómicaOrnitorrinco
Ocorrência: Pleistoceno - Recente
Platypus in Geelong.jpg
Estado de conservação
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Subclasse: Prototheria
Ordem: Monotremata
Família: Ornithorhynchidae
Género: Ornithorhynchus
Blumenbach, 1800
Espécie: O. anatinus
Nome binomial
Ornithorhynchus anatinus
(Shaw, 1799)
Distribuição geográfica
Ornithorhynchus anatinus map distribution-fr.svg
Sinónimos
brevirostris Ogilby, 1832
crispus MacGillivray, 1827
fuscus Péron, 1807
laevis MacGillivray, 1827
novaehollandiae Lacépède, 1800
paradoxus Blumenbach, 1800
phoxinus Thomas, 1923
rufus Péron, 1807
triton Thomas, 1923

O Ornitorrinco (nome científico: Ornithorhynchus anatinus, do grego: ornitho, ave + rhynchus, bico; e do latim: anati, pato + inus, semelhante a: "com bico de ave, semelhante a pato") é um mamífero semiaquático natural da Austrália e Tasmânia. É o único representante vivo da família Ornithorhynchidae, e a única (a) espécie do gênero Ornithorhynchus (b). Juntamente com as équidnas, formam o grupo dos monotremados, os únicos mamíferos ovíparos existentes. A espécie é monotípica.
O ornitorrinco possui hábito crepuscular e/ou noturno. Carnívoro, alimenta-se de insetos, vermes e crustáceos de água doce. Possui diversas adaptações para a vida em rios e lagoas, entre elas as membranas interdigitais, mais proeminentes nas patas dianteiras. É um animal ovíparo, cuja fêmea põe cerca de dois ovos, que incuba por aproximadamente dez dias num ninho especialmente construído. Os monotremados recém-eclodidos apresentam um dente similar ao das aves (um carúnculo), utilizado na abertura da casca; os adultos não possuem dentes. A fêmea não possui mamas, e o leite é diretamente lambido dos poros e sulcos abdominais. Esporões venenosos nas patas estão presentes nos machos e são utilizados principalmente para defesa territorial e contra predadores.
As características atípicas do ornitorrinco fizeram com que o primeiro espécime empalhado levado para Inglaterra fosse classificado pela comunidade científica como um embuste. Hoje, ele é um ícone nacional da Austrália, aparecendo como mascote em competições e eventos e em uma das faces da moeda de vinte centavos do dólar australiano. É uma espécie pouco ameaçada de extinção. Recentes pesquisas estão sequenciando o genoma do ornitorrinco e pesquisadores já descobriram vários genes que são compartilhados tanto com répteis como com as aves. Mas cerca de 82% do seus genes são compartilhados com outras espécies de mamíferos já sequenciadas, como o cachorro, a ratazana e o homem.

Distribuição geográfica e habitat

O ornitorrinco é endêmico da Austrália, onde é encontrado no leste de Queensland e Nova Gales do Sul, no leste, centro e sudoeste de Victoria, Tasmânia, e Ilha King. Foi introduzido no extremo oeste da ilha Kangaroo, entre 1926 e 1949, onde ainda mantém uma população estável.[1] A espécie está extinta na Austrália Meridional, onde era encontrada nas Colinas de Adelaide e na Cordilheira do Monte Lofty.[2]
A espécie é dependente de rios, córregos, lagoas e lagos. A distribuição geográfica mostra considerável flexibilidade tanto na escolha do habitat quanto na adaptabilidade a uma variação de temperatura. A espécie é capaz de enfrentar tanto as altas temperaturas das florestas tropicais de Queensland, como áreas montanhosas cobertas por neve em Nova Gales do Sul. A distribuição atual do ornitorrinco mudou muito pouco desde a colonização da Austrália, e continua a ocupar grande parte de sua distribuição histórica.[1]

Características

Esqueleto de um ornitorrinco.
O ornitorrinco tem um corpo hidrodinâmico e comprimido dorsoventralmente. Os membros são curtos e robustos, e os pés possuem membrana interdigital. Cada pé tem cinco dígitos com garras. A cauda é semelhante à de um castor. O focinho, que lembra um bico de pato, é alongado e coberto por uma pele glabra, macia, úmida e encouraçada; ele é perfurado sobre toda sua superfície por poros com terminações nervosas sensitivas. As narinas também se abrem no focinho, na sua metade dorsal superior, e estão posicionadas lado a lado. Os olhos e as orelhas estão localizados em um sulco logo após o focinho, esse sulco é fechado por uma pele quando o animal está sob a água.[3] A idéia de que o ornitorrinco tinha um bico córneo como o das aves surgiu do exame de espécimes ressecados.[4] Os órgãos olfatórios não são tão desenvolvidos quanto nas équidnas. E a espécie não tem orelhas externas ou pina.
Ficha técnica [4]
Comprimento
30 - 45 cm
Cauda
10 - 15 cm
Peso
0,5 - 2,0 kg
Tamanho de ninhada
2
Período de incubação
10 dias
Desmame
3 - 4 meses
Maturidade sexual
2 anos
Longevidade
17 anos (em cativeiro)
Tanto o peso quanto o comprimento variam entre os sexos, sendo o macho maior que a fêmea.[4] Há também uma variação substancial na média de tamanho de uma região a outra, esse padrão não parece estar relacionado a nenhum fator climático, e pode ser devido a outros fatores ambientais como predação e pressão humana.[5]
O corpo e a cauda do ornitorrinco são cobertos por uma densa pelagem que captura uma camada de ar isolante para manter o animal aquecido.[3][6] A coloração é âmbar profundo ou marrom escuro no dorso, e acinzentado a castanho amarelado no ventre. A cauda é usada como reserva de gordura, uma adaptação também vista em outros animais, como no diabo-da-tasmânia [7] e na raça de ovelha, Karakul. As membranas interdigitais são mais proeminentes nos membros dianteiros e são dobradas quando o animal caminha em terra firme.[3] Ornitorrincos emitem um rosnado baixo quando ameaçados e uma gama de outras vocalizações tem sido reportadas em cativeiro.[6]
O ornitorrinco tem uma média de temperatura corporal de cerca de 32 °C, ao invés dos 37 °C dos placentários típicos.[8] Pesquisas sugerem que essa temperatura foi uma adaptação gradual as condições ambientais hostis, em parte pelo pequeno número de monotremados sobreviventes em vez de uma característica histórica da ordem.[9][10]
Esporão venenoso do ornitorrinco macho.
O espécime adulto não possui dentes, entretanto, os filhotes possuem dentes calcificados, pequenos, sem esmalte e com numerosas raízes;[1] os três molares com cúspides presentes são pseudo-triangulados.[11] Nos adultos, os dentes são substituídos por uma placa queratinizada tanto na mandíbula como na maxila, que cresce continuamente.[3] O Ornithorhynchus possui algumas características craniais primitivas, entre elas a retenção das cartilagens escleróticas e do osso septomaxilar do crânio.[12] No esqueleto pós-craniano, ocorre retenção das vértebras cervicais (rudimentares) e dos ossos coracóide e interclavicular da cintura escapular, condições essas que são similares aos répteis.[3]
O macho tem esporões nos tornozelos, que produzem um coquetel venenoso,[13] composto principalmente por proteínas do tipo defensinas (DLPs), que são únicas do ornitorrinco.[14] Embora poderoso o suficiente para matar pequenos animais,[14] o veneno não é letal para os humanos, mas pode causar uma dor martirizante e levar à incapacidade. Como somente os machos produzem veneno e a produção aumenta durante o período de acasalamento, é teorizado que ele seja usado como arma defensiva para afirmar dominância durante esse período.[14]

Hábitos

Ornithorhynchus anatinus -Sydney Aquarium, Sydney, Australia -swimming-6a.ogv
Ornitorrinco mergulhando no Aquário de Sydney, Austrália.
Ornitorrincos são animais semiaquáticos e primariamente noturnos [1] ou crepusculares.[4] Quando não estão mergulhando em busca de alimento, descansam em buracos feitos nas margens dos rios e lagos, sempre camuflados com vegetação aquática. Há dois tipos de tocas, uma serve como abrigo para ambos os sexos e é construída pelo macho na época de acasalamento; a outra, geralmente mais profunda e elaborada, é construída pela fêmea e serve como ninho para a incubação dos ovos e cuidados pós-natais.[4] As aberturas das tocas ficam acima da água, e se estendem sob as margens de 1 a 7 metros acima do nível da água e até por 18 metros horizontalmente. O território dos machos tem cerca de sete quilômetros, sobrepondo a área de três a quatro fêmeas.[15]
É um excelente mergulhador e gasta boa parte do dia procurando por comida sob a água. Singularmente entre os mamíferos, ele se impulsiona ao nadar alternando remadas com as duas patas dianteiras; embora todas as quatro patas do ornitorrinco tenham membranas, as traseiras (mantidas contra o corpo) não auxiliam na propulsão, mas são usadas para manobrar em combinação com a cauda.[16] Os mergulhos normalmente duram cerca de trinta segundos, mas podem durar até mais, não excedendo o limite aeróbico de quarenta segundos. Dez a vinte segundos são gastos para retornar à superfície.[17][18]
Sobre a longevidade, ornitorrincos selvagens já foram recapturados com onze anos e, em cativeiro, a espécie vive até dezessete anos. A taxa de mortalidade, em adultos, na natureza é aparentemente baixa.[3] Os predadores naturais incluem aves de rapina, serpentes, além de cães, gatos, raposas-vermelhas e o homem.[19] A introdução da raposa-vermelha como predadora do coelho pode ter tido um impacto na população de ornitorrincos na Austrália.[5] Um baixo número de ornitorrincos na região norte de Queensland pode ser devido a presença do crocodilo-poroso (Crocodylus porosus).[20]

Hábitos alimentares e dieta

Ornitorrinco, se alimentando.
Possui hábitos alimentares carnívoros, se alimentando de anelídeos, larvas de insetos aquáticos, camarões de água doce, girinos, caramujos, lagostins de água doce e pequenos peixes, que ele escava dos leitos dos rios e lagos com seu focinho ou apanha enquanto nada. As presas são guardadas nas bochechas a medida que são apanhadas, e quando um número suficiente é reunido, ou quando é necessário respirar, ele retorna a superfície para comê-las.[21] A mastigação é feita pelas placas córneas que substituem os dentes, e a areia contida junto com o alimento serve de material abrasivo, ajudando no ato de mastigar.[4]
O animal precisa comer 20% do seu peso todos os dias, esse requerimento faz com que ele gaste 12 horas por dia procurando por comida.[17] Em cativeiro, ele chega a comer metade do seu peso em um único dia, um macho pesando 1.5 quilogramas pode ingerir 45 gramas de minhocas, 20-30 lagostins, 200 larvas de tenébrios, dois sapos pequenos, e dois ovos cozidos.[4]

Reprodução

A espécie exibe uma única estação de acasalamento, que ocorre entre junho e outubro, com algumas variações locais.[20] Observações históricas, estudos de marcação e recaptura, e investigações preliminares de genética populacional indicam a possibilidade de membros transitórios e residentes na população e sugerem um sistema de acasalamento polígeno.[22] Ambos os sexos se tornam sexualmente maduros no segundo ano de vida, mas algumas fêmeas só se reproduzem com quatro anos ou mais tarde.[23] Todos os monotremados apresentam baixa taxa reprodutiva - não mais do que uma vez ao ano.[12]
Gravura representando um casal de ornitorrincos.
Após o acasalamento, a fêmea constrói um ninho, mais elaborado que a toca de descanso, e o bloqueia parcialmente com material vegetal (que pode ser um ato de prevenção contra enchentes ou predadores, ou um método de regulação de temperatura e umidade).[19] O macho não participa da incubação, nem do cuidado com os filhotes. A fêmea forra o ninho com folhas, junco e outros materiais macios, para fazer uma cama confortável.[6]
A fêmea do ornitorrinco tem um par de ovários, mas somente o esquerdo é funcional.[24] Ela põe de um a três ovos (geralmente dois) pequenos, de aspecto semelhante ao dos répteis (pegajosos e com uma casca coriácea), com cerca de onze milímetros de diâmetro e ligeiramente mais arredondados que o das aves.[25] Em proporção, os ovos dos monotremados são muito menores, na ovulação, do que os dos répteis ou aves de tamanho corpóreo similar.[12] Os ovos se desenvolvem "no útero" por cerca de 28 dias, e são incubados externamente por cerca de dez a doze dias.[24]
Ao contrário da équidna, o ornitorrinco fêmea não tem uma bolsa, por isso coloca o seu corpo em volta dos ovos a fim de incubá-los. O período de incubação é separado em três fases. Na primeira, o embrião não tem órgãos funcionais e depende da gema para sua manutenção. Durante a segunda, há formação dos dígitos, e na última, há a formação dos dentes, que vão ajudar a romper a casca do ovo.[26]
Os filhotes recém eclodidos são vulneráveis, cegos, e pelados, com cerca de 18 milímetros de comprimento, e se alimentam do leite produzido pela mãe. Embora possua glândulas mamárias, o ornitorrinco não possui mamas. O leite escorre através dos poros na pele, depositando-se em sulcos presentes no abdômen da fêmea, permitindo os filhotes lamberem-no.[6][20] A amamentação ocorre por três a quatro meses. Durante a incubação e a amamentação, a fêmea somente deixa o ninho por curtos períodos de tempo para se alimentar. Quando sai, a fêmea cria inúmeras barreiras com solo e/ou material vegetal para bloquear a passagem do túnel que leva ao ninho, evitando assim o acesso de predadores,[27] como serpentes e o roedor, Hydromys chrysogaster.[23] Depois de cinco semanas, a mãe começa a passar mais tempo fora do ninho, e por volta dos quatro meses, os filhotes já emergem da toca.[20]

Classificação

História taxonômica

Ornitorrinco taxidermizado no Museu de História Natural de Londres.
Quando o ornitorrinco foi descoberto pelos europeus em 1798, uma gravura e uma pelagem foram enviadas de volta ao Reino Unido pelo Capitão John Hunter, o segundo governador de Nova Gales do Sul.[28] Os cientistas britânicos primeiramente estavam convencidos que se tratava de uma fraude.[6] O zoólogo George Shaw, que produziu a primeira descrição do animal em 1799, dizia que era impossível não se ter dúvidas quanto à sua verdadeira natureza, e outro zoólogo, Robert Knox, acreditava que ele podia ter sido produzido por algum taxidermista asiático.[29] Pensou-se que alguém tinha costurado um bico de pato sobre o corpo de um animal semelhante a um castor. Shaw sequer tomou uma tesoura para verificar se havia pontos na pele seca.[6]
George Shaw inicialmente o descreveu como Platypus anatinus, independentemente, Johann Friedrich Blumenbach, em 1880, a partir de uma amostra dada a ele por Sir Joseph Banks, descreveu o ornitorrinco, como Ornithorhynchus paradoxus.[30] Como o gênero Platypus já estava sendo usado por um besouro coleóptero, e seguindo as regras da prioridade, o ornitorrinco foi então nomeado de Ornithorhynchus anatinus.[3]

 Filogenética

Ornitorrinco no Aquário de Sydney.
Por causa da divergência inicial dos térios e do baixo número de espécies viventes, os monotremados são freqüentes objetos de pesquisas evolucionárias moleculares. Em 2004, pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália descobriram que o ornitorrinco tem dez cromossomos sexuais, comparados aos dois (XY) da maioria dos outros mamíferos (sendo assim o macho é representado por XYXYXYXYXY).[31] Embora tenham a designação XY dos mamíferos, os cromossomos sexuais do ornitorrinco são mais similares aos cromossomos ZZ/ZW encontrados nas aves.[32] A espécie também não possui o gene determinante sexual (SRY), significando que o processo de determinação sexual no ornitorrinco permanece desconhecido.[33] Uma versão inicial da sequência genômica do ornitorrinco foi publicada na revista Nature em 8 de maio de 2008, revelando elementos reptilianos e mamíferos, como também dois genes encontrados previamente em aves, anfíbios e peixes.[32] Mais de 80% dos genes do ornitorrinco são comuns aos demais mamíferos cujo genoma já foi seqüenciado, demonstrando que o grupo dos monotremados foi um dos primeiros a divergir de seus ancestrais reptilianos.[32]
Cquote1.svg Esta mistura fascinante dos traços no genoma do ornitorrinco traz muitos indícios sobre o funcionamento e a evolução de todos os genomas de mamíferos. Cquote2.svg
Richard Wilson, diretor do Centro de Genoma da Universidade de Washington (2008)
Cquote1.svg O genoma do ornitorrinco (Ornithorhyncus anatinus), assim como o próprio animal, apresenta um amálgama de características que pertencem a um réptil ancestral e são derivadas de mamíferos. Cquote2.svg
Wesley Warren et al., Nature (2008)

Conservação

Pintura de John Lewin (1808) retratando um ornitorrinco.
O ornitorrinco é classificado pela IUCN (2008) como pouco preocupante.[2] Exceto pela perda de habitat que ocorreu no estado da Austrália Meridional, ele ocupa a mesma distribuição original, antes da chegada dos europeus. Sua abundância atual e histórica, porém, é pouco conhecida e é provável que tenha diminuído em número, embora ainda considerado como uma espécie comum durante na maior parte da distribuição atual.[34] A espécie foi extensivamente caçada pela sua pele até os primeiros anos de século XX e, embora protegida em toda Austrália em 1905,[27] até cerca de 1950 ainda corria risco de afogamento nas redes de pesca nos rios.[35]
A espécie não parece estar em perigo iminente de extinção graças à medidas de conservação, mas pode ser afetado pela quebra de habitat causada por barragens, irrigação, poluição, redes e armadilhas.[2] Sua abundância é difícil de ser medida e, portanto, o seu futuro "status" de conservação não é facilmente previsível.[36] Vários estudos têm relatado a fragmentação da distribuição dentro de alguns sistemas fluviais, recentemente foi extinto da bacia do rio Avoca.[2] Isso tem sido atribuído às más práticas de gestão, levando à erosão dos bancos dos rios, sedimentação dos corpos d'água e perda da vegetação em áreas adjacentes a cursos de água. Também existem atualmente evidências de efeitos adversos no fluxo dos rios, introdução de espécies exóticas, má qualidade da água e doenças em populações de ornitorrinco, mas esses fatores têm sido pouco estudados.[36]
Geralmente sofrem de poucas doenças no estado selvagem, no entanto, há preocupação pública generalizada na Tasmânia sobre os impactos potenciais de uma doença causada pelo fungo Mucor amphibiorum. A doença (denominada Mucormicose) afeta apenas os ornitorrincos da Tasmânia, e não tem sido observada em ornitorrincos do continente australiano. Os ornitorrincos podem desenvolver uma dermatite ulcerativa em várias partes do corpo, incluindo o dorso, cauda e membros.[37] A mucormicose pode matar os animais, decorrente de infecções secundárias e por que afetam a habilidade dos animais de manter sua regulação térmica e na capacidade de se alimentar. Um setor da Conservação da Biodiversidade no Departamento de Indústrias Primárias e Água está colaborando com os pesquisadores da Universidade da Tasmânia para determinar o impacto da doença sobre os ornitorrincos da Tasmânia, bem como o atual mecanismo de transmissão e propagação da patologia.[38] Algumas populações têm exibido anticorpos para leptospirose, provavelmente transmitidas pelo gado, mas não foi observada sintomatologia clínica.[2]
Grande parte do mundo conheceu o ornitorrinco em 1939, quando a National Geographic Magazine publicou um artigo sobre o animal e os esforços para estudá-lo e mantê-lo em cativeiro. Esta é uma tarefa difícil, e apenas poucos animais têm se reproduzido com sucesso desde então - notavelmente no Santuário Healesville, em Victoria. A figura líder desses esforços foi David Fleay, que estabeleceu um berçário para ornitorrincos - um córrego simulado em um tanque - no Santuário Healesville, e teve um sucesso reprodutivo em 1943. Em 1972, ele encontrou um filhote morto, de cerca de 50 dias de idade, que tinha, presumivelmente, nascido em cativeiro, no Parque da Vida Selvagem David Fleay, em Burleigh Heads, Queensland.[39] Healesville repetiu o sucesso em 1998 e novamente em 2000 com um tanque de fluxo similar. O Zoológico Taronga, em Sydney, obteve o nascimento de gêmeos em 2003, e tiveram outro nascimento, em 2006.[40]

Aspectos culturais

Um ornitorrinco de peluche.
O ornitorrinco é, algumas vezes, referido de forma bem humorada como a prova de que Deus tem senso de humor (como no início do filme Dogma, por exemplo [41]). Sua aparência incomum fez com que aparecesse em diversos meios de comunicação, especialmente na Austrália, sua terra natal.
A imagem do animal tem sido usada diversas vezes como mascote: Syd foi um dos três mascotes escolhidos para os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, junto com uma équidna e um kookaburra,[42] "Expo Oz" foi o mascote da Expo 88, que foi sediada em Brisbane em 1988,[43] e "Hexley" é o mascote do computador da Apple que roda o sistema operacional Darwin BSD, o MAC OS X.[44]
O ornitorrinco é também retratado em músicas, como na canção do grupo Green Day, Platypus (I Hate You), e do grupo Mr. Bungle, Platypus. Ele é o tema de um poema infantil de Banjo Paterson, Old Man Platypus,[45] e freqüentemente aparece como personagens de programas infantis, como por exemplo, a família de ornitorrincos em Mister Rogers' Neighborhood, Perry o Ornitorrinco no programa Phineas and Ferb, e Ovide, a estrela do desenho animado Ovide and the Gang.[46]
Usando como exemplo primário para as dificuldades de classificação, o escritor italiano Umberto Eco escreveu um livro intitulado Kant e o Ornitorrinco.[47]

Notas

  • Nota (a): Duas espécies fósseis foram descritas. A primeira, Ornithorhynchus agilis descrita por De Vis, em 1885, através de uma tíbia e fragmentos da mandíbula, foi, noventa e cinco anos depois, assinada como sinônimo da espécie atual, O. anatinus. A segunda, Ornithorhynchus maximus foi descrita por William Sutherland Dun, em 1895, entretanto, em 1999, Hall demonstrou que se tratava de um exemplar de équidna, possivelmente da espécie Zaglossus robustus.[28]
  • Nota (b): Dermipus Wiedemann, 1800 e Platypus Shaw, 1799 [preoccupied] (i. e., já usado e, assim, indisponível para outro uso) são considerados sinônimos do gênero Ornithorhynchus.[48] O termo Platypus (do grego: platus, achatado + pous, pés), foi preoccupied por um besouro (Coleoptera) descrito por Herbst, em 1793.